Você Renderiza com Revit? Experimente Estas Alternativas — Atualizado para 2022

Não há dúvida de que o Revit revolucionou os escritórios de arquitetura e engenharia. Quem o utiliza com frequência rapidamente se acostuma à praticidade proporcionada pelo BIM. Uma de suas vantagens mais imediatas é visual: ele transforma o fluxo de trabalho bidimensional tradicional em um ambiente tridimensional onde podemos acompanhar o desenvolvimento do projeto e obter uma enorme quantidade de informações para orçamentação, planejamento e análise do modelo.

A Autodesk acertou ao incluir um motor de renderização por ray tracing no Revit, permitindo obter visualizações muito precisas. No entanto, alcançar resultados fotorrealistas em determinadas circunstâncias pode ser muito trabalhoso ou simplesmente impossível. O Revit foi desenvolvido para oferecer um motor de renderização acessível ao usuário médio, mas, quando começamos a levar a renderização mais a sério, frequentemente precisamos lidar com tarefas como mapear materiais (em termos simples, aplicar uma imagem JPG 2D sobre uma superfície 3D), adaptar luminárias mais orientadas para fluxos MEP do que para visualização arquitetônica, trabalhar com um sistema de iluminação natural relativamente limitado ou utilizar objetos 3D com alto nível de detalhe sem recorrer a RPCs, o que pode sobrecarregar o projeto e dificultar a navegação fluida pelo viewport. Além disso, se a cena for grande ou complexa, os tempos de renderização podem se tornar extremamente longos.

Isso não significa que não seja possível obter bons resultados com o motor de renderização padrão do Revit. Em determinadas circunstâncias, ele pode produzir resultados muito bons. Porém, se você deseja obter os melhores resultados de forma consistente, o ideal é utilizar o Revit principalmente para BIM e buscar outro método de renderização. Quais são as alternativas?

V-Ray para Revit

Depois de uma longa fase beta, a equipe da Chaos Group lançou a versão comercial do V-Ray para Revit, melhorando significativamente a qualidade e os tempos de renderização em comparação com os motores padrão. Ele também permite utilizar materiais padrão do V-Ray, oferecendo acesso a uma biblioteca gratuita com milhares de materiais de alta qualidade, além de um sistema de iluminação muito mais realista, especialmente quando utilizamos HDRIs. O V-Ray Fur também permite criar grama com resultados bastante convincentes.

Novidades de 2019

O V-Ray permite trabalhar com V-Ray Proxies, que possibilitam inserir objetos em todo o projeto sem sobrecarregar o modelo. Esses objetos somente são carregados completamente na cena quando o render é gerado.

SketchUp

O SketchUp costuma gerar opiniões bastante divididas. Como programa independente, é relativamente simples, mas, combinado com o V-Ray, pode produzir imagens estáticas tão boas quanto as geradas por qualquer outro software desta lista. Ele também oferece as vantagens do V-Ray para Revit, além da possibilidade de editar a geometria em um ambiente dedicado de modelagem 3D.

Uma desvantagem é sua integração com o Revit. Em cenas pequenas, atribuir materiais não representa um grande problema, mas, à medida que as cenas se tornam mais complexas, reatribuir os materiais pode exigir muito trabalho. Para facilitar essa tarefa, existem plugins como o Simlab SketchUp Importer for Revit.

Cinema 4D

Embora seja menos conhecido no setor AEC, o Cinema 4D (C4D) é um excelente software 3D com um conjunto muito completo de ferramentas. Ele possui um bom motor de renderização sem depender do V-Ray, embora o V-Ray também esteja disponível. Conta ainda com excelentes bibliotecas de materiais, ferramentas de escultura e pintura que competem com programas como o ZBrush e, acima de tudo, uma interface de usuário bastante acessível, que torna sua curva de aprendizado relativamente simples apesar de toda a potência do software. Por isso, é amplamente utilizado por designers gráficos e em projetos de motion graphics.

Assim como no SketchUp, uma das desvantagens é a necessidade de plugins para organizar corretamente os materiais ao transferir cenas do Revit. Nesse caso, uma das opções é o Revit to Cinema 4D.

3ds Max

Durante muito tempo considerado o rei indiscutível do 3D para visualização arquitetônica, o 3ds Max também apresenta uma integração relativamente boa com o Revit, permitindo importar luzes, câmeras e materiais. No entanto, o 3ds Max possui uma curva de aprendizado acentuada, sua interface pode parecer ultrapassada e a enorme quantidade de opções disponíveis pode ser intimidante para iniciantes. Além disso, algumas de suas funcionalidades mais importantes para visualização arquitetônica dependem de plugins e complementos de terceiros, o que pode aumentar consideravelmente o custo.

Um de seus motores de renderização mais conhecidos foi o Mental Ray, capaz de produzir resultados de alta qualidade. No entanto, muitos plugins de terceiros dependem do V-Ray. Ao utilizar o V-Ray, costuma ser recomendável — embora não seja obrigatório — substituir os materiais, luzes e câmeras nativos do 3ds Max pelos equivalentes oferecidos pelo V-Ray. O V-Ray RT também permite renderização utilizando a GPU em vez de depender exclusivamente da CPU.

Outra grande vantagem do 3ds Max é a possibilidade de sincronizar alterações com o modelo do Revit de maneira relativamente eficiente. Dessa forma, podemos voltar ao Revit e aproveitar suas vantagens de modelagem sem necessariamente perder o trabalho de visualização já realizado no 3ds Max.

Novidades de 2019

A partir do 3ds Max 2018, a Autodesk introduziu uma funcionalidade de programação visual baseada em nós chamada Max Creation Graph, que pode ser considerada uma espécie de equivalente ao Dynamo dentro do Revit. Na visualização arquitetônica, uma possível aplicação é automatizar a distribuição de objetos em cenas complexas.

Lumion

O Lumion é muito conhecido como uma solução de renderização em tempo real e se destaca imediatamente por sua simplicidade e facilidade de uso. O workflow pode ser tão simples quanto exportar uma cena do Revit e preenchê-la utilizando a biblioteca de objetos oferecida pelo Lumion. Porém, ao analisar os resultados com mais atenção, sombras e reflexos podem apresentar menor precisão em comparação com motores de ray tracing baseados em CPU, como o V-Ray. Essencialmente, estamos diante de um motor de renderização em tempo real semelhante aos utilizados em videogames que, em determinadas condições, pode produzir resultados muito próximos aos de um motor de ray tracing.

O Lumion se destaca especialmente na criação de animações, podendo renderizar em minutos sequências que, utilizando ray tracing tradicional, poderiam levar dias ou até semanas. Para muitos usuários, sua principal desvantagem são os requisitos de hardware, pois exige uma placa de vídeo potente.

Outra desvantagem é que, embora funcione muito bem em cenas externas diurnas, pode ser mais difícil obter resultados comparáveis aos de um motor de ray tracing em cenas internas e noturnas. Também existem algumas limitações na hora de preencher as cenas com objetos. Embora seja muito fácil criar animações básicas, sequências mais avançadas podem se tornar consideravelmente mais complexas.

Novidades

Desde o Lumion 7, foram introduzidas melhorias importantes na qualidade da renderização, permitindo obter imagens muito convincentes que, em determinadas condições, quase podem ser confundidas com renders produzidos por ray tracing. Para renderizações com qualidade de produção, o Lumion combina técnicas de renderização em tempo real com cálculos de iluminação mais avançados. Além disso, oferece uma ampla coleção de efeitos que permite alcançar resultados de estilo fotográfico sem precisar lidar com configurações complexas como em outros métodos de renderização.

Artlantis

Seguindo uma filosofia semelhante à do Lumion, o Artlantis utiliza renderização por GPU, embora não seja em tempo real, tornando-o um pouco mais acessível em termos de requisitos de hardware. Possui boa integração com o Revit e bibliotecas que facilitam os primeiros passos. Assim como Lumion e Twinmotion, é uma boa opção para quem precisa de resultados rápidos e não pode investir muito tempo aprendendo programas mais complexos.

Unreal Engine

Desenvolvido pela Epic Games, criadora do Fortnite, o Unreal Engine se tornou uma das principais plataformas de visualização em tempo real. Como muitos já sabem, trata-se de um motor de videogames capaz de produzir resultados impressionantes com o hardware adequado. Em cenas básicas ou bem otimizadas, também pode ser menos exigente do que algumas soluções específicas de visualização. Além disso, existem amplas bibliotecas de Unreal Assets que podem ser utilizadas para criar ambientes altamente detalhados.

O Unreal Engine pode alcançar resultados superiores aos de muitos outros programas em tempo real. Embora os motores tradicionais de ray tracing offline historicamente tenham oferecido maior precisão física, o Unreal se destaca na criação de passeios virtuais e experiências interativas que podem ser programadas em grande detalhe. Seu modelo de licenciamento também o tornou especialmente atraente para visualização arquitetônica e aplicações interativas.

Como qualquer solução, também possui desvantagens. A principal está no workflow necessário para importar conteúdo do Revit, que pode ser intimidador para profissionais vindos do universo BIM, especialmente em projetos de grande porte. Também pode ser necessário utilizar programas intermediários para tarefas como UV unwrapping, correção do mapeamento de materiais e ajustes na geometria.

Outro desafio é a otimização. Muitos modelos 3D disponíveis na internet foram desenvolvidos para VFX e não para videogames ou aplicações em tempo real, o que resulta em um número elevado de polígonos e texturas pesadas, exigindo hardware potente para movimentar determinadas cenas com fluidez. A otimização se torna ainda mais importante quando desenvolvemos experiências de visualização arquitetônica para plataformas móveis ou realidade virtual, onde manter uma taxa mínima de quadros por segundo é essencial para proporcionar uma boa experiência ao usuário.

Novidades de 2019

O Unreal Engine é um dos programas que evoluem mais rapidamente nesse setor, recebendo continuamente novas funcionalidades. Entre os desenvolvimentos mais relevantes para visualização arquitetônica estão:

Desde 2018, a Epic Games vem desenvolvendo um novo workflow para importar assets para o Unreal chamado Datasmith. Ele simplifica significativamente a conversão de assets provenientes de diversos formatos em poucos cliques, oferecendo um nível considerável de otimização sem a necessidade de utilizar programas intermediários. Esse workflow não está limitado ao Revit: também permite converter cenas de diversos programas 3D, incluindo cenas do 3ds Max com materiais V-Ray, traduzindo esses materiais para materiais do Unreal com uma alta taxa de sucesso.

A Chaos Group, criadora do V-Ray, também desenvolveu o V-Ray para Unreal, permitindo realizar renderização por ray tracing com esse conhecido motor e facilitando a conversão de cenas V-Ray provenientes de outros programas compatíveis. Em determinados workflows, portanto, ele pode funcionar como uma alternativa ao Datasmith.

Com o lançamento de placas gráficas NVIDIA para consumidores equipadas com aceleração de ray tracing por hardware, o Unreal Engine começou a integrar essa tecnologia para renderizar reflexos, refrações, oclusão ambiental e iluminação global em tempo real ou quase em tempo real, melhorando significativamente a precisão física dos renders produzidos no Unreal.

Unity

Juntamente com o Unreal Engine, o Unity é um dos motores de videogames mais populares do mundo e também está em constante desenvolvimento. Ambas as plataformas são capazes de criar praticamente os mesmos tipos de experiências. Alguns usuários consideram que a qualidade visual e a otimização do Unreal são superiores em determinados cenários, enquanto o Unity costuma ser considerado um motor mais intuitivo para desenvolvedores.

Novidades de 2019

A Unity anunciou a versão beta do Unity Reflect, uma suíte desenvolvida não apenas como solução de visualização, mas também como ferramenta de coordenação e comunicação entre os profissionais do setor da construção.

Novidade de 2019: Blender 2.8

Apesar de ser chamada de "versão 2.8", essa versão do Blender trouxe uma grande renovação de sua interface, tornando-a significativamente mais intuitiva. O Eevee, motor de renderização em tempo real nativo do Blender, também recebeu importantes melhorias, permitindo obter resultados muito convincentes com relativa facilidade sem sair de uma suíte 3D completa, gratuita, potente e profissional, cada vez mais utilizada inclusive em produções cinematográficas.

O Blender conta com o apoio de uma grande comunidade e possui ampla documentação, além de uma enorme variedade de add-ons e complementos desenvolvidos para facilitar praticamente qualquer tarefa.

Novidade de 2019: Twinmotion gratuito

Embora o Twinmotion já estivesse no mercado há vários anos, sua aquisição pela Epic Games e sua posterior disponibilização gratuita fizeram dele uma opção especialmente interessante. Trata-se de um software de renderização em tempo real desenvolvido com Unreal Engine, mas que, ao contrário do próprio Unreal, se destaca pela facilidade para renderizar cenas e por sua extensa biblioteca de objetos 3D e materiais prontos para uso.

Ele compete diretamente com o Lumion na relação entre tempo investido e resultados obtidos. Outro recurso importante é a possibilidade de navegar pelo modelo utilizando óculos de realidade virtual e de "empacotar" a cena em um arquivo executável, criando efetivamente um "videogame" interativo do projeto em poucos cliques. No entanto, esse tipo de experiência oferece menos opções de personalização e pode gerar arquivos consideravelmente mais pesados do que uma cena otimizada diretamente no Unreal Engine.

Conclusão

Por enquanto, não existe uma solução perfeita para visualização arquitetônica. No entanto, depois de aprender a utilizar uma dessas ferramentas, migrar para outra se torna consideravelmente mais fácil. Soluções como Lumion ou Twinmotion costumam ser algumas das melhores opções para quem está começando, pois permitem obter resultados visualmente impressionantes em poucas horas enquanto se aprendem conceitos fundamentais de visualização que servirão de base para programas mais avançados e combinações de workflows mais complexas.

E você? Conhece algum método melhor para exportar a partir do Revit? Qual é o seu workflow preferido quando precisa criar visualizações arquitetônicas?