Gestão BIM para promoção de residências industrializadas

Como abordar a organização deste tipo de projeto, em que normalmente existem vários quarteirões e inúmeras moradias?

Como tratamos a informação associada aos elementos?

Quais processos tornam a coordenação e o gerenciamento menos complexos e trabalhosos?

Quando nos deparamos com um projeto com essas características, a primeira coisa é determinar a fase que vamos desenvolver; A abordagem poderia ser diferente se for um projeto básico, um projeto de execução ou se for uma modelagem As Built, por exemplo.

_Exemplos de nível de detalhe "LOD" BIM_Forum.org

Outro ponto importante antes de iniciar a modelagem BIM é ter clareza sobre o LOD/LOI (Nível de desenvolvimento ou definição dos elementos e o Nível de informação a eles associado) estabelecido para o projeto. Isto deve ser especificado no BEP (Plano de Execução BIM, ou Plano de Execução BIM). Geralmente o LOD/LOI está diretamente ligado à fase do projeto e varia em função dela, sendo um com definição inferior para um projeto básico (por exemplo LOD 200) e superior para um projeto de execução, onde é necessária uma definição mais específica dos elementos (por exemplo LOD 300).

O próximo passo seria determinar o tipo de construção. Neste caso de estudo trata-se da construção industrializada, onde diferentes elementos são pré-fabricados e montados no local (casas, fachadas...).

Por último, mas não menos importante, é fundamental conhecer o número de habitações do empreendimento, a sua tipologia e repetição nos diferentes blocos do empreendimento. Resumindo, estude e analise o projeto antes de modelar uma parede.

Esquema de posicionamento e tipologia de habitação

Organização do projeto em BIM

Uma vez definidos os pontos anteriores, que se referem às informações iniciais do projeto, podemos iniciar a abordagem da organização e estrutura que o projeto carregará em BIM: taxonomia e número de arquivos, divisão de modelos (por fase, por bloco, disciplina...) etc.

Normalmente, neste tipo de projetos residenciais e industrializados encontraremos vários blocos habitacionais, possivelmente com diferentes fases de execução, mas com as mesmas tipologias habitacionais.

Uma forma de abordar isso é tentar criar uma estrutura que permita a interoperabilidade e a coordenação eficaz entre os modelos, de forma que esta divisão facilite o nosso trabalho no futuro.

Abordagem inicial para organização de modelos

Devemos ter em mente que, embora a priori possa parecer mais confortável ter um arquivo comum onde modelar vários ou todos os blocos habitacionais, isto pode ser uma má prática. Já que muitos elementos com um LOD alto podem levar a um modelo com tamanho excessivo, o que acaba dificultando seu manuseio, resultando em longos tempos de espera para abrir o arquivo, espaços de tempo perdidos no carregamento de visualizações, arquivos... etc. 

Neste post veremos um exemplo de gestão BIM de um Projeto de Execução que abriga um espaço de urbanização e áreas comuns, e 4 blocos praticamente idênticos que compartilham tipologias habitacionais. 

Além disso, estas casas são pré-fabricadas, pelo que neste caso a utilização de grupos de modelos como ligações é proposta como um fluxo de trabalho específico. Sim, você ouviu certo, usaremos os tão odiados grupos do Revit. Isto irá reduzir horas de modelação e ajudar na gestão e controlo das tipologias colocadas nos diferentes blocos.

Fluxo de trabalho com grupos de modelos como links

Taxonomia de Arquivos

É hora de considerar a ordem e a quantidade de arquivos em que o projeto será dividido. É importante fazer um estudo prévio para definir uma estrutura clara e bem pensada, pois pode nos poupar tempo no futuro.

Recomendação:  Ao definir os modelos, é aconselhável ter um arquivo federado onde estejam vinculados todos os modelos que compõem o projeto; Teremos assim um ficheiro de coordenação que nos dá uma imagem conjunta do projecto.

É uma prática comum e aconselhável utilizar o modelo federado para gerar o dossiê de planos associados ao projeto. É um hábito que não só evita adicionar peso extra aos arquivos individuais, mas também permite maior controle da planilha de plantas em um único modelo. Além disso, por se tratar de um arquivo composto apenas por links, podemos gerar um maior número de planos sem carregar excessivamente o modelo.

Modelo federado de coordenação e dossiê de planos

Neste caso a divisão foi feita por blocos habitacionais, pelo que teremos 4 modelos individuais que irão partilhar tipologias. Mas terão variações entre si em outros elementos como telhados, núcleos de escadas, portais. O que tornará a gestão de modelos algo especial para este caso específico. Teremos também outro modelo de urbanização e abaixo do solo.

Portanto, o número final de arquivos que teremos totalizará 7:

  • Modelo Federado (união de todos os modelos)
  • Modelo de Níveis e Grades (a partir do qual controlaremos os níveis do projeto)
  • Modelo Subterrâneo e de Urbanização (esta é uma construção tradicional)
  • Modelo Bloco 1 (industrializado)
  • Modelo Bloco 2 (industrializado)
  • Modelo Bloco 3 (industrializado)
  • Modelo Bloco 4 (industrializado)

Número do modelo e esquema de interoperabilidade

Uma vez estabelecida a partição principal, é melhor dividir os arquivos individuais por disciplina com base na complexidade que possuem, por exemplo, arquitetura e estrutura em um arquivo (se não for uma estrutura complexa, não poderá ser separada em um arquivo específico), e as facilidades, SEMPRE, por outro lado. 

Ter um ou mais arquivos de instalação dependerá, mais uma vez, da complexidade e do número de instalações definidas no projeto; Para tomar estas decisões teremos sempre em consideração o peso que os ficheiros podem atingir, pois será decisivo para o seu correto tratamento.

Uma vez estabelecidas conceitualmente a organização e taxonomia dos arquivos, é hora de iniciar a coordenação entre eles: criação do arquivo de nível e grade, posicionamento em coordenadas e outras particularidades que falaremos no próximo post.

Se você tiver alguma dúvida ou contribuição, não hesite em nos contatar: info@atbim.es

Por Julia Manero, Coordenadora BIM da ATBIM.