Do Edifício Virtual ao Gêmeo Digital

Indústria 4.0 - Digitalização - Conscientização

O setor de arquitetura, engenharia e construção (AEC) deve observar atentamente setores como a indústria automobilística ou a biomedicina, por exemplo. Esses setores estão na vanguarda do uso e aproveitamento da tecnologia para proporcionar transparência, interação, digitalização e inteligência.

Precisamos aumentar a conscientização sobre o poder dos dados nas fases de operação e manutenção (Facility Management). As empresas devem enxergar essa transformação e digitalização como uma alavanca para se tornarem mais competitivas e produtivas.

O que é um gêmeo digital? Vantagens e Aplicações

Na última edição da Rebuild Expo, falamos sobre como o gêmeo digital de um edifício pode ser comparado ao corpo humano. Como um avatar no qual:

  • Os ossos seriam a estrutura.
  • Os músculos seriam o envelope do edifício.
  • O coração e o sistema nervoso seriam as tubulações.
  • Os pulmões seriam os sistemas de climatização.
  • E o cérebro? O cérebro seria o GÊMEO DIGITAL do edifício.

Um gêmeo digital é uma representação virtual de um processo de produção logístico ou de um produto, permitindo que os departamentos técnicos compreendam seu projeto, implementem alterações e detectem erros antes que eles ocorram na vida real. Mas também serve para SIMULAR: VIRTUALIZAR PARA ECONOMIZAR.

O objetivo é um gêmeo digital, mas precisamos começar pela base:

Para criar esse gêmeo digital, primeiro precisamos de um modelo virtual e digital do produto ou ativo (o que chamamos de ativo virtual). E utilizamos o BUILDING INFORMATION MODELING como metodologia para chegar até ele.

Nossa experiência no desenvolvimento desses modelos virtuais: embora provavelmente não exista um único caminho para criar esses ativos virtuais, é necessário começar por algum lugar. Utilizamos o scanner Faro M70 para realizar uma captura massiva de dados do edifício em forma de nuvem de pontos, proporcionando uma base confiável a partir da qual podemos gerar o modelo virtual do edifício.

Posteriormente, analisamos as demais informações (plantas, memoriais, orçamentos etc.) e, caso sejam consistentes e confiáveis, adicionamos essas informações aos principais elementos do ativo: estruturas, máquinas, sistemas, equipamentos etc.

Para se ter uma ideia, em nosso último projeto, essa etapa de captura de dados gerou mais de 2 TB de informações, que posteriormente precisaram ser processadas, organizadas, filtradas e analisadas para que pudessem ser utilizadas de maneira ágil nas fases seguintes.

Em resumo, trabalhamos com parâmetros e dados que são transformados em modelos digitais utilizados para visualizar o estado real do edifício existente, assim como suas intervenções e reformas. Esses modelos funcionam como uma base de dados confiável para a tomada de decisões, permitindo antecipá-las com base em um modelo virtual. Também ajudam a evitar visitas presenciais desnecessárias às instalações, servem como base para a capacitação de operadores e trabalhadores em processos diários e em segurança e saúde ocupacional e, em última análise, constituem a base para muitos outros usos derivados de um modelo virtual até chegarmos ao gêmeo digital.

Agora, esse cérebro que estamos criando para o edifício precisa ser alimentado com dados em tempo real para potencializar o valor desses modelos virtuais. E esses dados precisam ter qualidade. A partir daqui, começa a integração. Ainda há muito a ser feito.

Falaremos mais sobre o gêmeo digital e seus benefícios nos próximos posts, mas deixamos aqui algumas referências adicionais:

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