Blockchain e sua convivência com o BIM: 2. Uso e economia

Esta é a segunda parte de uma série de artigos sobre blockchain e BIM, se ainda não leu a primeira parte pode fazê-lo aqui.

Agora que já trabalho em BIM, devo me lançar a implementar/contratar uma solução baseada em blockchain?

Foto de Christina Morillo

Obviamente, depende... Vamos tentar concretizar um pouco respondendo algumas perguntas que você deve se fazer...

Que resultado espera obter?

Antes de escolher as ferramentas vamos pensar no que vamos fazer com elas, certo?

Definir objetivos, escopo, viabilidade e as partes envolvidas é essencial antes de propor o uso de uma tecnologia nova, sobretudo se quiser implementá-la sobre operações ativas.

O que o blockchain agrega à sua organização/processos que outra solução não agrega?

Costumamos nos cegar querendo usar a tecnologia mais “de ponta”, provavelmente com a intenção de captar um pouco de atenção midiática (Algo totalmente viável se seu objetivo é puramente um “stunt” comercial) e nos esquecemos que as soluções já disponíveis no mercado já contam com um percurso que avaliza seu funcionamento e podem cobrir nossas necessidades (provavelmente) de uma maneira mais econômica e real.

Qual é o aporte diferencial? É realmente o “ponto-chave” para o que preciso ou apenas uma camada de tinta bonita? Se isso não estiver claro, podemos cair em sobre-complicar processos sem nenhum ganho tangível e ter que repensar a solução em um breve período de tempo.

Tem alguma razão concreta para não utilizar um sistema centralizado?

É possível que não queira depender de serviços proprietários, intermediários ou terceiros. Se o controle da informação, a independência dos processos e a rastreabilidade é algo importante para seu produto e/ou empresa, o Blockchain pode ser a solução ideal.

Claro que maior controle sempre vai implicar maior responsabilidade...

Que informação está disposto a compartilhar?

O setor AECO sofre demais com falta de transparência e comunicação. A transparência que apresenta a cadeia de blocos (Blockchain) pode ser uma arma de dois gumes. É possível que queiramos compartilhar certos dados com apenas uma parte dos stakeholders ou que tenhamos dúvidas se o acesso a demasiada informação possa resultar avassalador e/ou de certa maneira muito comprometedor para as demais partes. Se as coisas forem bem feitas, isto não deveria apresentar nenhum inconveniente, mas vale a pena avisar.

Conta com a cooperação de todas as partes envolvidas?

Se um sistema está orientado à colaboração mas nem todas as partes importantes estão envolvidas com este, perde rapidamente seu valor.

Para ilustrar isto vou contar uma anedota... Se vocês têm certa idade, provavelmente lembram da "guerra" Nintendo vs Sega que infestava os pátios das escolas no início dos anos 90. No meu caso decidi me unir ao "Time Mario" e comprar um "Super Nintendo" sem parar para pensar além dos meus desejos pessoais.... algo que logo se provou um erro importante já que todos meus colegas tinham se decidido pelo "Sega". Isto me isolou completamente das conversas e o intercâmbio de jogos no recreio. Foi um ano cheio de anseios e impotência, até o próximo Natal no qual sem hesitar me uni à maioria e me esqueci da Nintendo por um tempo.

Paguei duas vezes (bom, neste caso foram os Reis Magos que arcaram com o desembolso) e perdi um ano jogando o mesmo jogo várias vezes, algo que poderia ter sido facilmente evitado tendo sondado um pouco meu entorno.

Apesar de tudo, continuo mantendo que o "Nintendo" era superior tecnologicamente, mas a história nos demonstrou várias vezes que nem sempre ganha o mais avançado, e sim aquele que melhor cobre as necessidades do usuário.

As tecnologias disruptivas sofrem enormemente em ambientes fechados e que se movem lentamente, ser um "early adopter" pode ser um desafio tremendamente frustrante se não estamos acostumados à experimentação.

Tem alguma ideia do investimento necessário e que retorno posso obter?

Buscando informação sobre implementações blockchain que se encontrem em fase de produção, me surpreendeu a falta de dados sobre preços e resultados econômicos.

Partindo do fato de que grande parte da bibliografia se encontra repleta de casos hipotéticos ou notícias de implementações iniciais. Similares a esta, onde as conclusões se limitam a mencionar que a tecnologia teve um impacto positivo na venda de frangos e toranjas.

Como podemos prever o custo então?

Depende do uso e volume particular de cada projeto. É provável que ainda não estejamos em um ponto suficientemente maduro e ainda faltem amostras públicas para propor algo mais que generalizações sobre orçamentos e retorno. Se temos uma equipe de desenvolvimento interna, eles poderiam formular um estudo baseado no custo por fluxo – custo por rede e compará-lo com o gasto gerado pela solução atual. Caso não possa ser feito internamente, a figura da consultoria tecnológica se apresenta como um aliado vital.

Continuará no próximo artigo: "Blockchain e sua convivência com o BIM: 3. Integração"