5 Pontos-chave porque a norma ISO 19650 amplia o escopo da metodologia BIM.
Uma das conclusões mais importantes alcançadas depois de nos aprofundarmos neste primeiro capítulo da norma é que “o BIM está envelhecendo”. Isso é o mínimo que podemos extrair dos 5 pontos-chave que analisamos a seguir.
##1. Maturidade do BIM.
A publicação de uma norma ISO consolidou o conceito de que o BIM veio para ficar, caso ainda houvesse alguns desavisados que duvidassem. Isto representa avanço a nível técnico, mas também a nível estratégico onde já é difícil justificar que qualquer avanço no setor não passe pela integração dentro da metodologia BIM.
##2. Escalabilidade.
Neste caso, deveríamos dizer mais do que “o BIM fica maior” do que o BIM fica pequeno também. E um dos pontos mais perturbadores dos princípios da norma é aquele que contraria aquele pseudo-slogan/justificativa que dizia que “BIM é só para grandes projetos”.
BIM é para todos os tipos de projetos. Assim, na própria introdução do documento afirma-se que esta norma “é aplicável a bens construídos e projetos de construção de qualquer tamanho e nível de complexidade”.
Embora seja óbvio que nem todos os projetos são iguais, e que a sua estrutura é desencadeada por esse tamanho e nível de complexidade. Por isso, dá-se ênfase a este conceito de escalabilidade: “Devem ser aplicados de forma proporcional e adaptados à escala e complexidade.”
Atualmente a sua aplicação em praticamente todos os megaprojetos já é uma realidade. Contudo, os benefícios da aplicação da metodologia BIM poderiam ser considerados ainda proporcionalmente maiores nos casos de “Pequeno BIM”, onde é mais fácil garantir o controle sobre sua aplicação. Em qualquer caso, a estrutura, os requisitos e os objetivos da equipe devem ser adaptados às características do projeto.
##3. Para todos:
Outra razão pela qual consideramos que o BIM “cresce” de acordo com esta norma são os papéis e agentes que são citados como seus destinatários.
"Os conceitos e princípios deste documento são direcionados a todos os envolvidos no ciclo de vida do ativo**. Isso inclui, mas não está limitado a, o proprietário/operador do ativo, o cliente, o gestor de ativos, a equipe de projeto, a equipe de construção, um fabricante de equipamento, um especialista técnico, um regulador, um investidor ou um usuário final."
Ou seja, destaca-se a transversalidade da gestão da informação dentro de um projeto. Isto é especialmente importante para compreender que a metodologia BIM, e a gestão da informação que lhe está associada, tem que ser algo que envolva todos os departamentos da empresa, e não é algo que possa ser mantido isoladamente ou em paralelo. Os modelos BIM, por exemplo, são contentores de informação onde departamentos como finanças, jurídico ou administração também deverão consultar informações relacionadas com as suas tarefas.
##4. Ao longo do ciclo:
Outro conceito que foi ampliado nesta norma é o de ciclo de aplicação.
Assim, no documento de pré-requisito principal, o EIR (Exchange Information Requirements), é especificado que tanto os requisitos de informação do projeto (PIR-Project Information Requirements) quanto os referentes às informações de ativos (AIR-Asset Information Requirements) devem ser acomodados.
“Este documento se aplica a todo o ciclo de vida de qualquer ativo construído, incluindo planejamento estratégico, projeto inicial, engenharia, desenvolvimento, documentação e construção.”
Conforme expresso no diagrama seguinte, a fase de desenvolvimento do projeto situa-se como uma pequena parte da gestão da informação comparativamente à fase de operação e é dada ênfase às fases de transição (A e C) onde ocorre a transferência de informação do projeto realizado ou a realizar para o ativo e vice-versa.

Legenda: A Início da fase de desenvolvimento - transferência de informações relevantes do AIM para o PIM B Desenvolvimento progressivo do modelo de projeto inicial no modelo de construção virtual C Fim da fase de desenvolvimento - Transferência de informações relevantes do PIM para o AIM Extrato simplificado do diagrama da norma UNE-EN ISO 19650-1 Essas fases de transição A e C são pontos-chave do processo.
A primeira, A, coincidiria na maioria dos casos com o desenvolvimento do projeto de construção, onde são extraídas as informações patrimoniais, se houver, (do edifício a ser demolido, do terreno ou do edifício a ser reformado, por exemplo) para serem utilizadas durante o projeto.
A parte C corresponde à entrada de informação desde a fase de desenvolvimento do projeto até à parte de operação do edifício, o que coincidiria com a entrega de informação e/ou modelos AsBuilt.
De referir que se destaca o caráter escalável deste ciclo, que se aplicaria a qualquer intervenção sobre um ativo em qualquer estado em que se encontre.
##5. Todas as informações:
Não é um conceito novo, pois tanto no título da norma “Organização e digitalização da informação (...)” quanto na própria sigla BIM, a informação aparece como a chave de todo o processo_._
A verdade é que a gestão desta informação é mais uma vez o aspecto principal da norma, sendo a sua estruturação dentro do CDE (Common Data Enviorment) um dos pilares em que a Pas 1192 já se baseava, e continua a ser esta Norma ISO 196500.
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Simplificação do esquema de ambiente comum de dados (CDE) proposto pela norma UNE EN ISO 19650-1[/caption]
O que nos pareceu novo e muito interessante no que diz respeito à informação é a introdução de um conceito-chave como a granularidade da informação.
Este conceito de granularidade enfatiza o fato de que as informações fornecidas devem ser as mínimas necessárias para satisfazer cada requisito. Ou seja, mais informação do que o necessário não ajudará no desenvolvimento do que é proposto, mas sim dificultará o uso correto do que é necessário.
Ao mesmo tempo, sua importância é ainda indicada ao afirmar: “A granularidade da informação alfanumérica deve ser considerada pelo menos tão importante quanto a da informação geométrica.”
Assim, ao nível da definição e/ou desenvolvimento da informação, esta deverá estar sempre condicionada à concretização dos objetivos propostos.
Podemos concluir então que para o desenvolvimento do BIM o mais importante será:
Informação certa, no lugar certo, na hora certa.
Finalmente, na nossa próxima entrada, partilhamos um diagrama que nos dará uma visão global dos conceitos fornecidos na segunda parte da norma BIM ISO 19650.